terça-feira, novembro 28, 2006

Às vezes penso (2)

Para todos os vitelinhos, que diariamente se sacrificam para que possamos comer os nossos bifes, segue daqui o meu abraço apertado.

Às vezes penso

Às vezes penso nisso:
O bife que acabei de comer
pode não ser de vitela
mas de coelho anão albino.
E de algum modo
o meu coração
fica pequenino.

Para os coelhos anões albinos, que nunca esquecerei, segue daqui o meu abraço apertado.

quarta-feira, outubro 04, 2006

quarta-feira, setembro 13, 2006

sexta-feira, agosto 11, 2006

domingo, julho 02, 2006

O amor



O amor é lindo de verdade!
Feliz de quem ainda o sente!
Ele não escolhe cor nem idade
e ocupa por inteiro a nossa mente.

O amor é louco podem crer!
De olhos fechados, cresce e avança...
Atropela quem a frente se meter
e enche o coração de esperança.

São assim as coisas do coração.
E quando se curte uma paixão
ficamos como que embriagados.

Oh Deus! Abençoada ilusão...
que nos enche de amor o coração,
e vivemos tão felizes apaixonados.

Biazocas


sexta-feira, junho 23, 2006

domingo, maio 21, 2006

Comunhão

Reprimirei meu pranto!... Considera
Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram,
Quantos as mãos incertas levantaram
Sob este mesmo céu de luz austera!...

— Luz morta! amarga a própria primavera! —
Mas seus pacientes corações lutaram,
Crentes só por instinto, e se apoiaram
Na obscura e heróica fé, que os retempera...

E sou eu mais do que eles? igual fado
Me prende á lei de ignotas multidões. —
Seguirei meu caminho confiado,

Entre esses vultos mudos, mas amigos,
Na humilde fé de obscuras gerações,
Na comunhão dos nossos pais antigos.

Antero de Quental

sexta-feira, maio 05, 2006

Alma gémea....

A navegar por essa internet fora fui parar a um blogue brasileiro onde me senti em casa...:) Já está ali ao lado...;) Até o nome é parecido com o destas minhas flutuações, chama se Espuma Flutuante...:)

Vi e revi e vi e revi e não resisti a partilhar esta imagem e mensagem sublimes que lá encontrei :)

Deste lado do Mar, um abraço apertado, Espuma, bem hajas...!

sábado, abril 15, 2006

sexta-feira, março 03, 2006

O Amor e o Tempo

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento.

Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»

António Feijó

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Telepatia

Telepatia, silêncio, calma
Feitiçaria da tua alma
Passo a passo, sem ter medo
Abrímos, soltámos o nosso segredo

E a sorrir devorámos o mundo
Num abraço tão profundo

Telepatia, sem contratempo
Deixei-te um dia, num desalento
E eu sonhava, existia
P'ra sempre, p'ra sempre foi pura poesia

Sem pensar não vi que passavas
Pelo meu corpo não ficavas

E a sorrir devorámos o mundo
Num abraço tão profundo

Telepatia, silêncio, calma
Feitiçaria da tua alma
Telepatia
Telepatia....

Lara Li



Gustav Klimt

sexta-feira, janeiro 06, 2006

terça-feira, dezembro 20, 2005

Afia querido

Gosto de afias antigos, em que se mete o lápis e roda, afias que não se rendem às modernidades vazias, que
.......................não torcem a coluna em vénias, não dizem amen a tudo o que é escrito
...... por iluminados
.......................só porque sim/para agradar
para não destoar do sorriso de plástico da fotografia artística.

sexta-feira, novembro 25, 2005

quarta-feira, outubro 12, 2005

sábado, setembro 17, 2005

terça-feira, agosto 30, 2005

ideia de fome

sou por principio contra os tupperwares e outros plasticos dentro do frigorifico, a favor da fruta fresca, colorida, boémia e simples, contra os movimentos contra a comida pré-congelada (o que é ao certo aquilo a que as nossas elites chamam desdenhosamente de fast food?), sou pelo mercado e pelas castanhas, pela liberdade dos coelhos anões albinos, pelas cenouras, e pela abóbora quando não há canouras, mas se comigo ou com os meus uma fome terrivel acontecesse, se não tivessemos nada para comer depois de uma grande caminhada, não juro nada, mas se bem me conheço (que é isso de nos conhecermos?) seria bem capaz de ir ao macdonalds e os hamburgueres a que tenho direito só a ferros sairiam de dentro de mim.

segunda-feira, julho 18, 2005

domingo, julho 17, 2005

Cats




Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhore de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fôfo no pêlo, frio no olhar !

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?


Alexandre O'Neill

terça-feira, junho 28, 2005

Quem?

Não sei quem és. Já não te vejo bem...
E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...)
Sonho que um outro sonho me desfez?
Fantasma de que amor? Sombra de quem?

Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?...
- Não sei se tu, amor, assim me vês!...
Nossos olhos não são nossos, talvez...
Assim, tu não és tu! Não és ninguém!...

És tudo e não és nada... És a desgraça...
És quem nem sequer vejo; és um que passa...
És sorriso de Deus que não mereço...

És aquele que vive e que morreu...
És aquele que é quase um outro eu...
És aquele que nem sequer conheço...

Florbela Espanca

segunda-feira, junho 27, 2005

para todos vós...


... seguem daqui um sorriso e um abraço apertado :-)

terça-feira, junho 21, 2005

Cat Woman



A feminina mais felina que a gata...qual a mais gata?

E a felina, como é feminina...

Quase desconcertante.

terça-feira, junho 07, 2005

Rosto em chamas!!!

Acender o cachimbo lentamente*
com os olhos postos no infinito

Fingir que não se ouve não se sente*
o crepitar do bigode
o cheiro a frango assado dos pêlos queimados

Abrir os olhos
revirá-los
em direcção à boca

E correr a mergulhar a cara
no lavatório mais próximo
saber apagar e apagar-se*
penosa necessidade
*
do rosto que em chamas
se consome

Em terríveis trapalhadas
se mete
um distraído

Com "*" e em itálico, versos de Mário Dionísio, que me inspirou, o resto é meu...:)