terça-feira, julho 01, 2008

Sobre ser mulher


A mulher afirma-se pela fala, tem uma capacidade de verbalização característica, tanto pela positiva, como pela negativa. Como o homem sabe disso, manda-a calar. O falar parece ser, às vezes, uma substituição do pensar, mas não: trata-se da expressão de um pensar. Há um pensar que leva a agir, um pensar que leva a falar, um pensar que leva ao silêncio. Esse é o pensar profundo que se transforma em acto e obra. A tagarelice é o pensar que não assentou.

A tradição obrigou a mulher a ficar dentro de uma caixa de vidro na qual era visível, mas não audível. Então ela falou desesperdamente, mas sem qualquer efeito. Quando partiu essa prisão de vidro, a sua voz transformou-se num acto revolucionário. A mulher moderna é o efeito dessa explosão, da saída da clausura que é a casa, a família, a beleza obrigatória. Quando toma a palavra, rompe essa teia que a envolvia numa rede de silêncio e de idealização. A mulher não é a Eva, representativa da origem do mal da humanidade, nem a figura platónica que o petrarquismo elevou a ídolo.

No tempo actual, a voz da mulher junta-se ao coro de vozes discordantes da humanidade, tendo outras raízes - é uma flor gritante que vai dar frutos, mas tem de se aperceber disso e pensar melhor na relação com o Outro. Já nenhuma parede de vidro a protege. Agora, o diálogo das vozes é um novo e duro corpo a corpo: uma batalha que se desenha. E, no fundo, ela quer vencer, ser uma nova Amazona, mas não deseja perder um seio. Nem deve. Não deve perder a feminilidade, a singularidade do seu ser, a origem da sua criação específica. O seu contributo é o do espírito. Mesmo quando se transforma em acto, a sua mão não deve esquecer-se de que existe para colher e acolher. Essa é a capacidade específica da mulher: produzir, mas não reproduzir apenas. E o homem não pode ser o seu modeli.

O homem acusa a mulher de não pensar com a mesma estruturação que ele, como se isso fosse um defeito. Essa atitude masculina pressupõe que o sistema criado por ele é o único válido. A mulher tem a capacidade de compreender no concreto, de relacionar. Tem aí uma nova palavra a dizer.

Não sou feminista. Sou antropologicamente lúcida.

Ana Hatherly

terça-feira, junho 10, 2008

Quem morre...?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.


Pablo Neruda


sexta-feira, maio 16, 2008

Vila Real contra as Barreiras

NAERA alerta para as dificuldades das pessoas portadoras de deficiência

A Semana das Engenharias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) com o tema “ajudar as pessoas com a tecnologia e acessibilidade” decorreu entre os dias 5 e 11 de Maio. O núcleo de alunos de Eng. de Reabilitação e Acessibilidades Humanas (NAERA) levou a cabo diversas actividades com o intuito de “sensibilizar” as pessoas não portadoras de deficiência para os problemas num “país pouco desenvolvido na área da reabilitação”. “Este é o primeiro evento organizado pelo núcleo do nosso curso, mas queremos fazer mais a favor da sensibilização das pessoas”, explicou David Fonseca, presidente do NAERA. Com uma exposição no centro comercial Dolce Vita de Vila Real, os alunos do recém-criado curso de engenharia da UTAD alertaram os visitantes para questões como a “mobilidade em cadeira de rodas ou sem recurso à visão” e ainda para a “necessidade de adaptação de brinquedos”, para as crianças portadoras de deficiência.

A iniciativa do NAERA abrangeu ainda o desporto “pois é uma das melhores formas de superar obstáculos”, referiu David Fonseca. A modalidade escolhida foi o basquetebol adaptado, com a equipa da APD Paredes a mostrar as suas habilidades na cidade vila-realense. A equipa a competir a nível nacional é orientada por Ana Lúcia, aluna da Licenciatura em Ciências do Desporto na academia transmontana. “Estas incitativas são muito importantes para a sensibilização, pois as dificuldades existem e é preciso alertar as mesmas”, referiu a treinadora. Quanto à modalidade, Ana Lúcia diz que é “ainda pouco conhecida”. “Apesar de haver competição a nível nacional, dividida em duas zonas, norte e sul, ainda é pouco conhecido o basquetebol em cadeira de rodas. Este tipo de iniciativas também são boas para a divulgação desta actividade.”

No final de uma semana dedicada à “sensibilização para a reabilitação”, David Fosenca fala com surpresa quanto ao número de visitantes. “Foram muitas as pessoas que passaram pelo Dolce Vita, não esperávamos tanta participação e tanto interesse por parte visitantes.” Para o responsável pelo NAERA este foi mais um passo para a “mudança necessária”. “É preciso organizar mais iniciativas como esta, para mostrar o que é preciso mudar e lutar contra as barreiras existentes em Portugal.”

Para o NAERA da UTAD, para Frederico Correia e para todas as pessoas portadoras de deficiência, segue daqui o meu abraço apertado.*

segunda-feira, abril 21, 2008

um piscar de olhos...

... dura um décimo de segundo.

e
o coração bate uma vez por segundo.

segunda-feira, março 17, 2008

Pessoas

.


Do outro lado do monitor.... há PESSOAS.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Quem pode saber...



... quem pode garantir, que Deus não existe?

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Segredos....




Um beijo é um segredo que se diz na boca e não no ouvido

Jean Rostand



Mais palavras para quê? Segredemos ;)

domingo, dezembro 16, 2007

Hoje sinto-me assim

Diva
Esplendorosa
Lambona
Boémia e
Simples.
E a provar q/ tal é possivel aqui temos a Marilin, de branco, a comer um cachorro quente e a beber uma cocacola. Só os pseudo qq coisa da nossa praça acreditam que o mundo é só preto ou só branco. O mundo é cinzento.Não cinzento de chato, cinzento de ser variedo. Viva a variedade, medida da liberdade!

quarta-feira, novembro 21, 2007

O que me tranquiliza

O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

Clarice Lispector

quarta-feira, outubro 31, 2007

Para todas as meninas do mundo...



... segue daqui o meu abraço apertado :-)

sábado, setembro 29, 2007

Verdade simples



O mundo de quem amamos pára sempre um pouco por nossa causa... há algo melhor que sentirmos que fazemos o mundo de alguém girar?

segunda-feira, setembro 24, 2007


Naomi Soloman por Bill Cooper

(...)
Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?


Manuel António Pina
n. 1943

A melancolia está para mim como o sol está para as flores. Hoje estou melancólica.

domingo, setembro 23, 2007

É preciso morrer e nascer de novo

... é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar pra aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração

Mafalda Veiga

quinta-feira, agosto 09, 2007

quarta-feira, julho 11, 2007

Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...


Florbela Espanca

.

sábado, junho 16, 2007

quinta-feira, maio 17, 2007

e lembrei-me...

Há uma frase que me baila na cabeça desde que a li num livro de poesias....

"Peço-te que venhas e me dês um pouco de ti mesmo onde eu habite"

Sophia de Mello Breyner Andresem

quarta-feira, maio 16, 2007

Como é piroso...

Palavras de mel,
Sofridas sentidas e imaginadas,
Coisas sonhadas e desejadas,
Que numa calma aparente
São um turbilhão ardente,
Como adrenalina descontrolada,
Tudo tudo só pela sua amada,
Tudo só por um beijo,
Um sinal do seu desejo.
O coração acelera,
Tudo o resto pára e espera,
Agora é tempo de amar,
É a vez do amor tomar lugar
E quando assim é
Nada nem ninguém o pode parar,
Depois logo se vê,
Depois alguém irá pensar.
Por agora é só amor...
E como é
...piroso assim um amor maravilhoso.

brgigas

sexta-feira, abril 06, 2007

Crianças da ilha de Faro



Fiquei um pouco surpreendida por receber hoje uma carta das crianças da Ilha de Faro, a falar dos seus sentimentos para comigo e para com os coelhos anões albinos, a dizerem como têm saudades dos tempos da nossa luta por um mundo melhor.

Para vocês, meus queridos, segue daqui um abraço apertado* Também eu tenho saudades desses dias de coragem, mas a minha família agora desfaz-me os comprimidos na comida :/

quinta-feira, março 15, 2007

sábado, fevereiro 03, 2007

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Lua adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles

terça-feira, dezembro 26, 2006

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Querido Pai Natal

Dá-me já uma bimby!

domingo, dezembro 10, 2006

Adeus Pinochet

Nele se inspirou o inventor da bebida com nome quase igual: Panachet, uma mistura de seven up com cerveja a simbolizar aquilo que é leve e aquilo que é rude na vida. Muitos o julgaram. Tribunais e pessoas. Todos o condenaram. Mas tudo é relativo. A minha verdade é uma. Mas acho que sei conviver com as verdades dos outros, desde que não me digam que a minha não presta. E consigo pôr-me no lugar de Pinochet e compreender que quase ninguém o compreendeu, enquanto todos foram prontos a julgá-lo e a dizer que a sua visão do mundo não prestava. Consigo imaginar a sua mágoa, a sua fúria. TODAS AS OPINIÕES SÃO RESPEITÁVEIS. Até porque não passam disso, de opiniões. Adeus, Pinochet. Daqui segue para ti o meu abraço apertado.*