domingo, julho 02, 2006
sexta-feira, junho 23, 2006
domingo, maio 21, 2006
Comunhão
Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram,
Quantos as mãos incertas levantaram
Sob este mesmo céu de luz austera!...
— Luz morta! amarga a própria primavera! —
Mas seus pacientes corações lutaram,
Crentes só por instinto, e se apoiaram
Na obscura e heróica fé, que os retempera...
E sou eu mais do que eles? igual fado
Me prende á lei de ignotas multidões. —
Seguirei meu caminho confiado,
Entre esses vultos mudos, mas amigos,
Na humilde fé de obscuras gerações,
Na comunhão dos nossos pais antigos.
Antero de Quental
sexta-feira, maio 05, 2006
Alma gémea....
A navegar por essa internet fora fui parar a um blogue brasileiro onde me senti em casa...:) Já está ali ao lado...;) Até o nome é parecido com o destas minhas flutuações, chama se Espuma Flutuante...:)Vi e revi e vi e revi e não resisti a partilhar esta imagem e mensagem sublimes que lá encontrei :)
Deste lado do Mar, um abraço apertado, Espuma, bem hajas...!
sábado, abril 15, 2006
sexta-feira, março 03, 2006
O Amor e o Tempo
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.
– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»
Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento.
Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»
António Feijó
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Telepatia
Feitiçaria da tua alma
Passo a passo, sem ter medo
Abrímos, soltámos o nosso segredo
E a sorrir devorámos o mundo
Num abraço tão profundo
Telepatia, sem contratempo
Deixei-te um dia, num desalento
E eu sonhava, existia
P'ra sempre, p'ra sempre foi pura poesia
Sem pensar não vi que passavas
Pelo meu corpo não ficavas
E a sorrir devorámos o mundo
Num abraço tão profundo
Telepatia, silêncio, calma
Feitiçaria da tua alma
Telepatia
Telepatia....
Lara Li
Gustav Klimt
sexta-feira, janeiro 06, 2006
terça-feira, dezembro 20, 2005
Afia querido
.......................não torcem a coluna em vénias, não dizem amen a tudo o que é escrito
...... por iluminados
.......................só porque sim/para agradar
para não destoar do sorriso de plástico da fotografia artística.
sexta-feira, novembro 25, 2005
quarta-feira, outubro 12, 2005
sábado, setembro 17, 2005
terça-feira, agosto 30, 2005
ideia de fome
segunda-feira, julho 18, 2005
domingo, julho 17, 2005
Cats
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhore de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fôfo no pêlo, frio no olhar !
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Alexandre O'Neill
terça-feira, junho 28, 2005
Quem?
E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...)
Sonho que um outro sonho me desfez?
Fantasma de que amor? Sombra de quem?
Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?...
- Não sei se tu, amor, assim me vês!...
Nossos olhos não são nossos, talvez...
Assim, tu não és tu! Não és ninguém!...
És tudo e não és nada... És a desgraça...
És quem nem sequer vejo; és um que passa...
És sorriso de Deus que não mereço...
És aquele que vive e que morreu...
És aquele que é quase um outro eu...
És aquele que nem sequer conheço...
Florbela Espanca
segunda-feira, junho 27, 2005
terça-feira, junho 21, 2005
Cat Woman
A feminina mais felina que a gata...qual a mais gata?
E a felina, como é feminina...
Quase desconcertante.
terça-feira, junho 07, 2005
Rosto em chamas!!!
com os olhos postos no infinito
Fingir que não se ouve não se sente*
o crepitar do bigode
o cheiro a frango assado dos pêlos queimados
Abrir os olhos
revirá-los
em direcção à boca
E correr a mergulhar a cara
no lavatório mais próximo
saber apagar e apagar-se*
penosa necessidade*
do rosto que em chamas
se consome
Em terríveis trapalhadas
se mete
um distraído
Com "*" e em itálico, versos de Mário Dionísio, que me inspirou, o resto é meu...:)
domingo, maio 01, 2005
sábado, abril 23, 2005
segunda-feira, abril 11, 2005
O Grito
Vejo um rosto e umas mãos na cabeça e um grito surdo que ecoa e me penetra os ouvidos. É fantástico ao passar toda a dor e todo o isolamento daquele ser humano, perdido dele e do mundo.
Mas um grito faz bem. Um grito isolado, numa praia deserta ou numa apraça apinhada, ora, ninguém ouve, de qualquer maneira.
Mas o pior, o pior mesmo, são os gritos que ficam presos e mudos e que não passam e nos dilaceram o interior sem exorcizar os demónios sempre atentos.
sexta-feira, março 11, 2005
segunda-feira, março 07, 2005
Quase engasgo violento
Cheguei a casa depois de comprar jornal e ir ao supermercado, tinha vestidos uns calções da tropa, um chapéu de cowboy e uns óculos escuros: boémia e simples.
Nesse bem estar comigo mesma abri os sacos do supermercado para guardar tudo no frigorifico e, mal me dobrei para tirar as compras dos sacos, deu-me uma tontura de fome. Avancei em direcçao ás cenouras mas retrai-me. Estivémos naquele demorado jogo uns bons minutos, as cenouras e eu. Por fim cedi. Com tanta fome que quase me engasguei. Consegui evitar o pior bebendo água. Água fresca e sedutora.
Foi melhor assim.







