sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Telepatia

Telepatia, silêncio, calma
Feitiçaria da tua alma
Passo a passo, sem ter medo
Abrímos, soltámos o nosso segredo

E a sorrir devorámos o mundo
Num abraço tão profundo

Telepatia, sem contratempo
Deixei-te um dia, num desalento
E eu sonhava, existia
P'ra sempre, p'ra sempre foi pura poesia

Sem pensar não vi que passavas
Pelo meu corpo não ficavas

E a sorrir devorámos o mundo
Num abraço tão profundo

Telepatia, silêncio, calma
Feitiçaria da tua alma
Telepatia
Telepatia....

Lara Li



Gustav Klimt

sexta-feira, janeiro 06, 2006

terça-feira, dezembro 20, 2005

Afia querido

Gosto de afias antigos, em que se mete o lápis e roda, afias que não se rendem às modernidades vazias, que
.......................não torcem a coluna em vénias, não dizem amen a tudo o que é escrito
...... por iluminados
.......................só porque sim/para agradar
para não destoar do sorriso de plástico da fotografia artística.

sexta-feira, novembro 25, 2005

quarta-feira, outubro 12, 2005

sábado, setembro 17, 2005

terça-feira, agosto 30, 2005

ideia de fome

sou por principio contra os tupperwares e outros plasticos dentro do frigorifico, a favor da fruta fresca, colorida, boémia e simples, contra os movimentos contra a comida pré-congelada (o que é ao certo aquilo a que as nossas elites chamam desdenhosamente de fast food?), sou pelo mercado e pelas castanhas, pela liberdade dos coelhos anões albinos, pelas cenouras, e pela abóbora quando não há canouras, mas se comigo ou com os meus uma fome terrivel acontecesse, se não tivessemos nada para comer depois de uma grande caminhada, não juro nada, mas se bem me conheço (que é isso de nos conhecermos?) seria bem capaz de ir ao macdonalds e os hamburgueres a que tenho direito só a ferros sairiam de dentro de mim.

segunda-feira, julho 18, 2005

domingo, julho 17, 2005

Cats




Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhore de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fôfo no pêlo, frio no olhar !

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?


Alexandre O'Neill

terça-feira, junho 28, 2005

Quem?

Não sei quem és. Já não te vejo bem...
E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...)
Sonho que um outro sonho me desfez?
Fantasma de que amor? Sombra de quem?

Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?...
- Não sei se tu, amor, assim me vês!...
Nossos olhos não são nossos, talvez...
Assim, tu não és tu! Não és ninguém!...

És tudo e não és nada... És a desgraça...
És quem nem sequer vejo; és um que passa...
És sorriso de Deus que não mereço...

És aquele que vive e que morreu...
És aquele que é quase um outro eu...
És aquele que nem sequer conheço...

Florbela Espanca

segunda-feira, junho 27, 2005

para todos vós...


... seguem daqui um sorriso e um abraço apertado :-)

terça-feira, junho 21, 2005

Cat Woman



A feminina mais felina que a gata...qual a mais gata?

E a felina, como é feminina...

Quase desconcertante.

terça-feira, junho 07, 2005

Rosto em chamas!!!

Acender o cachimbo lentamente*
com os olhos postos no infinito

Fingir que não se ouve não se sente*
o crepitar do bigode
o cheiro a frango assado dos pêlos queimados

Abrir os olhos
revirá-los
em direcção à boca

E correr a mergulhar a cara
no lavatório mais próximo
saber apagar e apagar-se*
penosa necessidade
*
do rosto que em chamas
se consome

Em terríveis trapalhadas
se mete
um distraído

Com "*" e em itálico, versos de Mário Dionísio, que me inspirou, o resto é meu...:)

domingo, maio 01, 2005

Palhaços (3)

Dia do Trabalhador



Para todos os trabalhadores do mundo, segue daqui o meu abraço apertado :-)

sábado, abril 23, 2005

segunda-feira, abril 11, 2005

O Grito



Vejo um rosto e umas mãos na cabeça e um grito surdo que ecoa e me penetra os ouvidos. É fantástico ao passar toda a dor e todo o isolamento daquele ser humano, perdido dele e do mundo.

Mas um grito faz bem. Um grito isolado, numa praia deserta ou numa apraça apinhada, ora, ninguém ouve, de qualquer maneira.

Mas o pior, o pior mesmo, são os gritos que ficam presos e mudos e que não passam e nos dilaceram o interior sem exorcizar os demónios sempre atentos.

sexta-feira, março 11, 2005

La capacidad de reír

La capacidad de reír en común es la esencia del amor.

Françoise Sagan

segunda-feira, março 07, 2005

Quase engasgo violento

Ia-me engasgando hoje ao comer uma cenoura. Que cenoura, meu Deus, que cor. Só me lembrava dos coelhos anões albinos.
Cheguei a casa depois de comprar jornal e ir ao supermercado, tinha vestidos uns calções da tropa, um chapéu de cowboy e uns óculos escuros: boémia e simples.
Nesse bem estar comigo mesma abri os sacos do supermercado para guardar tudo no frigorifico e, mal me dobrei para tirar as compras dos sacos, deu-me uma tontura de fome. Avancei em direcçao ás cenouras mas retrai-me. Estivémos naquele demorado jogo uns bons minutos, as cenouras e eu. Por fim cedi. Com tanta fome que quase me engasguei. Consegui evitar o pior bebendo água. Água fresca e sedutora.
Foi melhor assim.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Agora é que vais ver

Morreu ontem Artur Miler, dramaturgo.



Quero lá saber se era genial, o que importa é que tinha vergonha do filho que sofria de sindrome de Down.

Descansa em Paz, Artur, se conseguires!

Antonio Mancini

domingo, janeiro 23, 2005

A receita

- Ponha o bacalhau a demolhar no dia anterior.
- E depois?
- Depois de bem demolhado, corte-o em postas.
- E a seguir?
- Leve-o a cozer com leite.
- Mesmo?!
- Mesmo.
- ...
- Entretanto, pique as cebolas e leve-as a estalar com azeite, louro, sal e pimenta, um pouco do leite de cozer o bacalhau.
- E a cebola?
- A cebola deve ficar branca e macia e nunca loura.
- Pois, loura é que não...
- Depois de cozido, escorra o bacalhau e coloque-o num recipiente de barro.
- E o que é que eu faço à cebola?
- Deita...
- Deito-me?
- Não. Deita a cebola sobre as postas de bacalhau. Enfeite com o puré de batata e leve a gratinar. Junte também azeitonas pretas.
- Ah.

sábado, janeiro 01, 2005

terça-feira, dezembro 28, 2004

Alma Flutuante

Teremos tido alguma vez o que julgamos ter perdido?
Quisemos a presença permanente mas nunca a tivemos
Nalgum momento feliz nalgum lugar propício
amámos a integridade de um corpo como uma chama de universo
Mas se esse momento durou com a verde intensidade de um bosque
e foi como se tocássemos o tronco de uma estrela
em breve se apagou o lume que dançava em flutuantes corpos....


Antònio Ramos Rosa

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Agora, CHEGA...!

.

Se dúvidas me restassem sobre a identidade das senhoras dos tupperwares (sempre lhes foi difícil descruzar as identidades) que



- venderam dezenas de edredons feitos com peles de coelhos anões albinos
- alimentaram a vileza dos caçadores de coelhos anões albinos que atacam na Ilha de Faro
- finalmente depois de eu ter começado a frequentar essa ilha á noite, de gaivota, pedalando, pedalando, começaram a clonar coelhos anões albinos, com medo do fim do negócio, acrescentando apenas uma letra, confundindo as pessoas que iam comprar os edredons, eventualmente até criaram um endereço de mail semelhante ao meu, o que não sei transcende-me.





Se dúvidas me restassem ,dizia, elas teriam desaparecido quando há uns tempos, na Ilha de Faro, dei um grito que apenas essas senhoras puderam ouvir e parou a clonagem de coelhos anões albinos. Tão simplesmente.



Não ripostei da mesma forma, não uso edredons nem clono coelhos . Não cacei com as mesmas armas e ser-me-ia tão fácil, bastaria caçar meia dúzia de coelhos à paulada , marcar umas reuniões para vender tupperwares e vender em vez disso (ou além disso ) edredons ILEGAIS. Mas isso seria tão fácil...Demasiado fácil, demasiado previsível, e tudo o que é fácil demais perde a piada.



Há várias formas de jogar com o adversário. Eu escolhi a minha, porque não considero propriamente um adversário alguém que caça anonimamente (e sem pátria), que não nos olha nos olhos - e sim, acho possível ser leal em Faro ou nas suas ilhas, mesmo perante caçadores.... Ómeussamigoss...brincamos ou quê?



Os pais das crianças da Ilha de Faro que me perdoem mas também não foram espertos: se lhes expliquei a necessidade de Salvar os Coelhos e lhes expliquei que era possível e o como, como é que sistematica/ tentaram impedir que as crianças participassem? Como é que sistematicam/ me proibiram de levar as crianças para a Ilha de Faro? Para todos aqueles que levantaram processos contra mim só tenho uma palavra: hipócritas facciosamente subservientes ao poder económico dos Caçadores.



Enfim.... este blog vai mudar de rumo, fazer contas à vida, o fim de ano aproxima-se e é tempo de balanço. Neste blog estão MOMENTOS DE LUTA muito preciosos (leiam em espanhol, é mais bonito) e que me são queridos, de pessoas com quem me iniciei na blogosfera, as primeiras pessoas que li, que me leram, alguns amigos 'lá de fora' e, sempre, as crianças da Ilha de Faro. Estão também os momentos de como-se-desenrasca-isto, os momentos de ajuda, a solidariedade de quem me viu perdida no meio de um problema com o blogger e eu já chorava baba e ranho ai que o meu blog se foi . Mas estão sobretudo todos aqueles momentos de CLARAS e EVIDENTES manifestações de desprezo e indiferença perante a cobardia dos Caçadores...:)



Para essas PESSOAS, segue daqui um abraço apertado e até já.



Adenda, e porque para o fim se guarda tantas vezes o melhor.
Uma das marcas deste blog foi ter sido, pontualmente, como que atravessado por ondas (tsunamis?) de entusiasmo com o Iron Man , o David Fonseca, essas baguetes caseiras fermentadas, além do paõzito do nosso quase ex primeiro. Agradeço toda a boa vontade das pessoas que me escreveram a esse propósito, demonstrando compreensão, as centenas quiçá dezenas de mails que recebi e a que respondi, a publicitação em outros blogs destes casos ternurentos de paixão platónica exacerbada. Creio que, se este blog tivesse tido o propósito de ter alguma espécie de missão, tê-la-ia cumprido ao publicitar, ao dar voz a duas PESSOAS tão bem parecidas que são de toda a gente (mas mais meus ). Agradeço também a uma simpaticíssima e competente jurista da Deco pelos inumeros jpgs com fotografias de Iron e de Fonseca que, com sensibilidade e vontade de ajudar, me ofereceu. Acho que cada uma de nós, à sua maneira, fez o que pôde. Os bloggers foram receptivos e amigos e enviaram-me informações sobre a mulher de Iron e a gaja do Fonseca (CABRONAS DE MERDA PORRA PÁ ELES SÃO MEUS...!), que prontamente anotei no meu moleskine de guerrilha feminina. Por tudo isso (that, em português) vale a pena, veleu a pena tudo, o meu saldo da net é francamente positivo e feliz.



Enfim, esta primeira fase do blog está no fim. Enquanto os caçadores sem escrúpulos caçavam ou descansavam, os meninos da Ilha de Faro e eu salvámos até ao último coelho que nos foi possível e IMPOSSIVEL salvar. Todos os que não conseguimos salvar matamo-los. Mais vale uma morte digna às nossas mãos (vendemos a carne a Instituições de Caridade) do que uma morte indgina às mãos daqueles assassinos. Adoptei dez e ofereci vários à minha familia agora na quadra natalicia.... infelizmente, vim a saber, uma ou outra tia menos sensibilizada para estas coisas da ecologia, entendeu mal o meu gesto e usou os presentes para fins culinários, tendo pois alguns coelhos sido comidos (no próprio dia em que foram cozinhados ou no seguinte, tendo entretanto sido guardados no frigorifico dentro de tupperwares).... mas antes isso que o sofrimento pela ganância...:)



É tempo de reformular este blog. Para os milhares de leitores que me seguiram, segue daqui um abraço apertado. E um abraço mesmo muito apertado para essa Grande Mulher que é, pelo que me transmitiu, no fundo, a Alma de tudo isto.



Até já...:)